quinta-feira, julho 14, 2005

Dos olhos de um outro alguém

Não suporto aquelas estorinhas bonitinhas tipo romance de sessão da tarde. Como esses dois. Preciso dar um jeito de tirar esse cachorro daí, do contrário vai acontecer exatamente o que eu mais temo: o rapaz dos olhos azuis e a moça da voz suave vão se descobrir em suas respectivas solidões e aí ferrou tudo.

Chuva. É isso! A solução perfeita para todos os problemas da humanidade (ou criados pela mesma...) Desde os primórdios ela já servia admiravelmente aos mais variados fins, em especial os de rápido extermínio: lembremos de Noé, o dilúvio e afins. Funcionou. Ok, lá vai. E essa garota metida a sabida, parece que já adivinhava meus planos. Esse é o problema das estratégias muito manjadas: é difícil pegar todo mundo de surpresa. Só os mais desavisados mesmo.

E eles voltaram a se olhar. Droga, os pingos de chuva chegaram tarde demais. Deveria ter sido no momento exato em que ela se virava para ir embora, porque aí as gotas distrairiam os pensamentos deles, e ambos sairiam correndo para lados opostos pra se abrigar em algum toldo, esquecendo-se das intenções agora visíveis.

Maldito cachorro aí observando. Só faltava ser mais um pau-mandado daquele do meu rival-mor. Vejá lá, hein Todo-Poderoso... Não vá me aprontar das suas. O destino desses dois já estava escrito e fechado há tempos, não ouse colocar seus dedinhos nisso agora e mudar tudo, como é do seu feitio. Cuidado, e lembre-se com quem está lidando. Não é um cãozinho chamado Abobrinha que vai se meter no meu caminho. Ele que tente.... ele que tente...

- Ei, você quer uma carona?

1 Comments:

Blogger Eduardo Gameiro said...

Resolveu assumir sua porção demoníaca, finalmente?

Não adianta tentar esconder esta sua parte malévola, ela sempre acaba se sobressaindo.

Afinal, não é o vilão o herói de sua própria história?

4:50 PM  

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