domingo, agosto 14, 2005

As meias-verdades caninas

- Okey - disse o pequeno cão, do alto de seus... bem, de seus míseros 30 cm de altura, segundo as medidas tomadas pelo seu ilustre veterinário. - Chega dessa palhaçada! Será que vocês são tão burros assim que ainda não perceberam minha natureza extraterrestre???

- O quê????? - rapaz e mocinha reagem, estarrecidos.

- Tsc, tsc, tsc... humanos! - zomba o cãozinho alien.

- Não acreditem nesse papo furado, seus idiotas - a mulher fatal (ela mesma, a de vermelho) resolve se manifestar. - Dá pra ver que ele não é normal, mas daí pra ser um ET... convenhamos! Está na cara que ele faz parte de alguma organização terrorista fundada por gênios da ciência que manipularam geneticamente seu DNA pra que...

- Tá bom, tá bom... Confesso que a história do alienígena era só pra assustar vocês um pouquinho. Poxa, também, que falta de espírito esportivo, pessoal! - o esquisito exemplar de cachorro decide ser um pouquinho mais sincero.

- Então quem é você? De onde vem? Como consegue falar?

- Calma lá, mocinha... Uma coisa de cada vez. Bom... venho a trabalho de meus superiores pra colocar vocês três em uma missão importantíssima para o destino da humanidade...

E paramos por aqui, porque senão perde a graça. Esse meu subordinado não tem o menor tato pra tratar dos assuntos com sutileza...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Dógui, Réd, Bói, Gãrl

Quatro carros com quatro figuras seguiram por quatro ruas.
Em cada carro uma figura e dois puliça.

Nenhuma palavra foi dita.
Nem pelos temerosos prisioneiros, nem pelos misteriosos captores.

Chegaram todos à um destino.
Uma casa de madeira na mata, já na noite escura.
Os faróis dos carros iluminavam pouca coisa, e assim era difícil identificar qualquer forma no meio da chuva torrencial que impossivelmente só fazia insistir em piorar.

Tocados para dentro como para o abate, as franzinas figuras aceitaram seus destinos, resilientes, até mesmo a fatal dama rubra, atitude que não combinava com suas de mais cedo.

Tranca-se a porta por fora.
Os faróis iluminam as frestas nas tábuas da parede e desaparecem. O mesmo acontece com o ruído dos motores, que fatalmente somem e se transformam apenas no barulho da chuva gritando contra o telhado.

Nenhuma luz, nenhuma palavra.
Sozinhos ali, se acostumam a escuridão, chegando, no melhor momento, a ver apenas as silhuetas uns dos outros.

- Que chuva...
- O quê? - diz a garota.
- Não disse nada - diz o rapaz.
- Foi o Totó ali que falou - diz a dama.
- Então... - continuou o quadrúpede - alguém aí quer que eu explique o que aconteceu?